Pular para o conteúdo principal

O país da bandeira quadriculadinha


Vira e mexe alguém me faz a clássica pergunta: "Qual foi a cidade que você mais gostou na Europa?". Sem titubear, logo respondo: "Zagreb". Já estou acostumado a ouvir como resposta um "ahn?", "onde?" e afins. Passados os balbucios e as sobrancelhas arqueadas, sei que devo explicar minha polêmica escolha hipotética. Fácil: a capital croata significa tudo de bom e puro que há no mundo.

Como a praga chamada euro ainda não chegou lá - a Croácia sequer faz parte do clubinho vip conhecido como União Europeia -, tudo é muito barato até para nós, pobres não-europeus. Pode-se comer um belo prato de carne (sentado num restaurante) por menos de 5 euros - ou melhor, 35 kunas. Minha sugestão é ir no mercado e torrar as moedinhas locais em bera com limão, mil vezes melhor do que aquela tentativa frustrada da Skol de alguns anos atrás.

Mais do que comes e bebes, a atmosfera de Zagreb é invejável. O pecado capital é esse mesmo: inveja. Meia-noite de sexta-feira e tudo que se vê são jovens batendo papo segurando seu copão (barato) de cerveja seja na parte alta da cidade - com a catedral toda iluminada como pano de fundo - seja nas belas e convidativas praças do centro. Bandidos, estupradores, assassinos em série? Nem sombra deles. Os dois carros de polícia por quadra pelo jeito surtem efeito.

E sabe o que é o melhor de tudo? Os croatas não deixam subir à cabeça o fato de viverem num lugar tão sensacional - eles nem devem se dar conta disso. Os atendentes das lojas são prestativos e até simpáticos. Os jovens já superaram as picuinhas contra os vizinhos bálcãs (leia-se Sérvia) e agora até torcem para o Djokovic. Tem como não amar?

** A onipresente estátua do 'homem sobre cavalo' faz companhia aos boêmios zagrebinos.

Comentários

  1. É verdade, Zagreb é um ótimo lugar pra se visitar, aliás a Croácia vem sendo roteiro de muitas pessoas ultimamente, sem contar que é lindo .. e eu sou suspeita pq tbm adoro Praga.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Nyhavn

Seu pé estava gelado. Arrependia-se de não ter colocado uma meia mais grossa ou sua calça do pijama por baixo do jeans. Quem diria que na Suécia faz frio? Gotemburgo era uma cidade simpática, apesar de seus habitantes não o serem. O frio que fazia lá também possuía a mesma falta de hospitalidade de seus colegas de fila. O lado bom é que não tinha pagado nada para estar ali. Embora já tivesse adquirido uma segurança financeira, ainda guardava resquícios da origem humilde. E por “resquícios da origem humilde”, entende-se “gostar de tudo que seja de graça”. Havia tentado prestar atenção no que estava sendo dito na abertura do Congresso Mundial de Estudos Microbiológicos, mas largou os bets. Não que não entendesse o que estava sendo debatido, apenas não se interessava de verdade por nada daquilo. Pensado isso, começou a reavaliar a vida. O que diabos fazia ali? Será que já era tarde demais para jogar tudo pro alto e resolver fazer algo completamente diferente de Estudos Microbio...

Ultraviolência, gansos e pessoas famosas (ou anônimas)

Ah, as estátuas. Objetos tão comuns em praças dos quatro cantos do mundo que acabam sendo ignoradas por nós. Estas belas obras de arte podem capturar as mais intensas emoções humanas ou apenas homenagear algum político rico o suficiente. E você, já olhou para uma estátua hoje? Anônimo - Budapeste, Hungria Basílica de Santa Maria del Fiore - Florença, Itália Próximo ao Porte de Livorno, Itália da Vinci - Milão, Itália   Em frente ao Parlamento em Londres, Inglaterra Ultraviolência em Viena, Áustria Paris (e principalmente o Museu do Louvre) está cheia de estátuas ótimas. Esta e as próximas são de lá

Nice talking to you

Até há algum tempo eu achava que não, mas descobri que gosto de conversar com pessoas. E hostel é o lugar mais indicado para isso. Em Amsterdã, virei bróder de um grupo de seis portugueses da minha idade. No metrô do aeroporto de Londres para o centro, pedi ajuda a um cara para validar meu ticket na catraca (pois é...). Depois de descermos do primeiro trem na mesma estação e descobrirmos que faríamos conexão para a mesma Victoria Lane, começamos a conversar. Contei o que tinha achado de Amsterdã, os planos para as viagens futuras, o convênio UFPR/Unipi. O legal é falar de tudo isso com um completo desconhecido, com quem você tem certeza de que nunca mais encontrará na vida. Decidi também confiar menos em mapas e mais nas pessoas na rua. Perdi as contas de quantos cidadãos eu parei para pedir informação: desde o gari da Centraal Station que não falava inglês até o idoso perto da casa da Anne Frank que, sabe Deus por que, achou que eu fosse alemão. Tenho até tática. E...