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Volte sempre

"Köszönöm”, dizia-lhe sempre ao final das compras. No primeiro dia, ele lhe retribuiu com um sorriso. Da segunda vez em diante, já respondia o “obrigado” da moça do caixa no idioma local. Daí para frente, esperava ansiosamente pelo encontro com a húngara.
Passou quatro dias em Budapeste e todo final de tarde ia ao mercado que ficava a uma quadra de seu hostel para comprar a janta da noite e o café da manhã do dia seguinte. E, claro, dar um “köszönöm” à nativa.

Na sua última visita ao mercado, havia decidido trocar mais palavras com ela, ir além das formalidades. Enquanto a jovem registrava sua última mercadoria, um sanduíche de presunto, ele começou a por seu plano infalível em prática.
- Listen...
- Oh, are you from Brazil? - ela foi mais rápida enquanto lhe pedia os 1.346 florins pela compra.
- Yes - respondeu, feliz pelo interesse alheio e surpreso com o chute certeiro - How did you know? - questionou ao lhe entregar as três notas de 500.
- Your backpack.
Esqueceu que sua mochila o entregava.
- So... - tentou novamente.
- My girlfriend is from Brazil - completou enquanto lhe dava o troco. - Köszönöm.


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